'A gente precisa sonhar e não colocar limites', diz brasileira que será 1ª mulher a chefiar fábrica da Fiat na América Latina

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Juliana Coelho, de 30 anos, vai comandar a unidade de Goiana, em Pernambuco, seu estado-natal. Em conversa com o G1, ela conta que começou como trainee e viu fábrica ‘nascer’. Fiat terá pela primeira vez uma mulher no comando de fábrica na América Latina A notícia de que a pernambucana Juliana Coelho será a primeira mulher a comandar uma fábrica da Fiat Chrysler (FCA) na América Latina, em seu estado-natal, ganhou repercussão nacional. O destaque ao fato de ser uma mulher não chega a incomodar a engenheira de 30 anos. Mas, ao G1, ela diz esperar que, futuramente, isso deixe de ser novidade. “Entendo que (o ineditismo) seja algo que precisa, ser, sim, compartilhado. Espero que a gente não precise, daqui para frente, compartilhar, porque seja o natural, mas sabemos que, até lá, é importante”, afirma. “Eu fiquei muito feliz com o feedback que eu recebi. Não esperava tanto carinho, tantas mulheres e homens vindo falar comigo”, reconhece a engenheira. Mulheres na Liderança: as barreiras que ainda prejudicam a ascensão “Ainda temos alguns marcos a romper: o primeiro negro, a primeira mulher… Mas, depois, a gente já abriu caminhos e espero que várias outras mulheres venham e abram outros caminhos, e eu estou aqui também para abrir outros”, completa. Começou como trainee Juliana também é a mais jovem a assumir este cargo na América Latina. Ela chegou à Fiat em 2013, como trainee, junto com os primeiros funcionários da então futura fábrica de Goiana, que estava em construção. Até então, a engenheira química achava que seu futuro estava na área de petróleo e gás, alvo da pós-graduação concluída naquele ano. Mas a chegada da primeira indústria automotiva na região mudou seu rumo. “Entrei na área de pintura, como engenheira química. Especialista da cabine de pintura, onde aplica a cor do carro”, relembra. A guinada para se tornar uma gestora foi iniciada ainda naquela área. “Comecei a participar das entrevistas, do desenvolvimento dos primeiros operadores. Então, eu pude abraçar essas pessoas (…) desenvolver a primeira pessoa daquela família que tinha um emprego numa indústria”, conta. Pouco depois da abertura da fábrica, em julho de 2015, Juliana passou a chefiar 300 pessoas na área. Em dois anos, virou comandante de 2.300, como gerente da montagem da nova fábrica. No fim de 2018, partiu para sede da montadora, em Betim (MG), onde assumiu a chefia da área de VLM, responsável por novos desenvolvimentos na manufatura da FCA em toda a América Latina. No ano passado, concluiu uma especialização em gestão empresarial. Gestão na pandemia De malas prontas para voltar para casa, Juliana sabe que tem um desafio extra pela frente: manejar a produção recém-retomada, em tempos de pandemia. “(A pandemia) é um momento atípico, mas a gente entende também que é um momento de oportunidades de crescer enquanto pessoas”, reflete. “Antes mesmo das pessoas de fora da fábrica entenderem que isso era importante, eu já estava com máscara, a 1 metro de cada pessoa. A gente teve uma reação muito rápida”, lembra. “O desafio maior é continuar cuidando das pessoas e garantindo a segurança de cada colaborador do pólo, do entorno do pólo e da família de cada pessoa que vive lá.” Álcool gel acionado pelo pé, divisórias no refeitório: como as montadoras estão retomando a produção Lidando com os campeões A fábrica de Goiana é a mais moderna da FCA no país e de lá saem alguns dos modelos campeões de venda de Fiat e Jeep: os SUVs Compass e Renegade e a picape Toro. “A planta está completando 5 anos e a gente tem grandes desafios, próximos. Foi muito importante a plantar para criar uma cultura automotiva”, avalia Juliana. “Sabemos que as pessoas que trabalham lá são apaixonadas por lá, assim como eu sempre fui, e garantir que essa paixão continue viva em cada uma das pessoas , para que a gente possa fazer e alcançar novos horizontes com aquela fábrica.” Recado às futuras engenheiras Para futuras engenheiras, e líderes, o recado da executiva é: “A gente precisa sonhar e não colocar limites”. “Entendendo que, por mais que tenhamos uma sociedade que é, historicamente, que seja um pouco mais patriarcal, somos maioria, somos 51% da população”, relembra. “E não só por ser maioria – a gente não quer criar o contrário do machismo, a gente quer realmente saber que podemos estar juntos, cada um agregando com o que tem de melhor.” “Muitas vezes, nós, mulheres, colocamos: ‘Uma mulher nunca foi ‘plant manager’, então eu não vou nem pensar, deixa ver uma outra coisa para eu fazer…’ Não. Não coloque barreiras para o seu sonho”, ensina. “Acredite e se esforce bastante que, com certeza, o reconhecimento, ele vem”, finaliza. Source: G1 Economia

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