Além de Hollywood… Alemanha e França lideram entre lançamentos no Brasil nos últimos 10 anos

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Reino Unido, Bélgica e Argentina completam top 5 de nos cinemas. Salas não recebem tantos filmes da Ásia, dizem distribuidoras. Mas será que o Oscar de ‘Parasita’ pode mudar isso? Filmes não falados em inglês com maior bilheteria no Brasil desde 2009: ‘A pele que habito’, ‘Relatos Selvagens’, ‘Intocáveis’, ‘A bela e a fera’, ‘Invasão zumbi’ Divulgação Mais da metade das estreias no Brasil nos últimos dez anos era de filmes brasileiros ou americanos. Mas cinemas daqui têm cada vez mais produções de fora de Hollywood: os filmes de outros países cresceram de 89, em 2009, para 213 em 2019. Nos anos 2010, os brasileiros assistiram a 1505 filmes de fora do Brasil que não vieram dos Estados Unidos. Os países que mais estrearam filmes por aqui foram: França: 410 Alemanha: 187 Reino Unido: 100 Bélgica: 100 Argentina: 96 Para entender o top 5, o G1 conversou com representantes de duas distribuidoras. Jean-Thomas Bernardini é diretor-geral da Imovision, a empresa que mais trouxe filmes internacionais para o Brasil. Juliana Brito é coordenadora da Pandora, a quarta com mais filmes internacionais. Cena do filme francês ‘Intocáveis’ Divulgação “A França apoia de maneira intensa a exportação de seus filmes, fazendo o cinema francês o mais visto no mundo, após o americano. Sem contar todo o prestígio que esses países possuem na história do Cinema, principalmente França e Alemanha, considerados precursores de diversos movimentos cinematográficos”, explica Brito. “Na Europa, há muita coprodução hoje. Itália, Espanha, Alemanha e França têm trabalhado neste estilo e por isso conseguem exportar com mais força”, conta Bernardini. A coordenadora da Pandora explica como é o processo de escolha dos filmes que serão lançados no país: “Visitamos diversos mercados e festivais, além de manter contato com agentes de venda internacionais.” Brito e Bernardini listaram outros critérios de escolha: Seleção para festivais importantes; Vitória em prêmios internacionais; Bilheteria no país de origem; Nomes envolvidos na direção e elenco; Relevância do tema. Cena de ‘Relatos Selvagens’ Divulgação Top de bilheteria Filmes internacionais têm subido no top 10 das bilheterias brasileiras. Durante todas as semanas de 2020, pelo menos um desses ficou entre os mais vistos no país. “Parasita” (Coreia do Sul), “Os miseráveis” (França), “Retrato de uma jovem em chamas” (França) e “O paraíso deve ser aqui” (França, Qatar, Alemanha, Canadá, Turquia e Palestina) conseguiram entrar no top 10. O feito impressiona ainda mais, porque estavam em cartaz campeões de bilheteria como “Minha mãe é uma peça 3”, “Jumanji” e “Bad Boys para sempre”. Entre as maiores bilheterias desde 2009, são muitas coproduções entre Canadá e Estados Unidos. Há também filmes do Reino Unido com outros países, além dos franceses. Hablas español? Vous parlez français? O mais bem-sucedido de língua não-inglesa é a comédia de superação francesa “Intocáveis”, que arrecadou R$ 14 milhões. Um campeão de bilheteria de Hollywood, como “Vingadores: Ultimato”, faturou cerca de R$ 370 milhões. Veja o top 5 internacional: “Intocáveis” (França) “Relatos Selvagens” (Argentina) “A bela e a fera” (França) “Invasão Zumbi” (Coreia do Sul) “A pele que habito” (Espanha) Pedro Almodóvar em ação no set de filmagem de ‘A pele que habito’ Divulgação O público brasileiro também costuma ser receptivo aos vencedores do Oscar de melhor filme internacional. Nos últimos anos, “O segredo dos seus olhos” (Argentina), “Amour” (França), “A grande beleza” (Itália) e “A separação” (Irã) passaram da cifra de R$ 2 milhões de bilheteria. Os filmes do diretor espanhol Pedro Almodóvar ajudaram a colocar a Espanha entre os mais lucrativos aqui. No top 50 bilheterias dos últimos 10 anos, há “A pele que habito” (2011), “Dor e glória” (2019) e “Julieta” (2016). Onde estão os vizinhos? Dos 19 países que compõem a América Latina com o Brasil, apenas nove tiveram filmes lançados no país desde 2009. A Argentina é a primeira da lista, com 96 produções. Mas o México, segundo país com mais estreias em cinemas brasileiros, teve apenas 19. Argentina: 96 México: 19 Chile: 17 Uruguai: 9 Cuba: 5 Colômbia: 4 Peru: 5 Venezuela: 3 Paraguai: 1 Outros dez, a maioria da América central, não tiveram uma obra sequer lançada aqui neste período: Bolívia, Costa Rica, Equador, El Salvador, Guatemala, Haiti, Honduras, Nicarágua, Panamá e República Dominicana. A Argentina é o quinto país com mais filmes no Brasil. Rostos como os de Ricardo Darín, Chino Darín e Oscar Martinez são conhecidos do público e sucessos do país vizinho tiveram bons resultados por aqui. “Relatos Selvagens” agradou tanto a parte dos cinéfilos brasileiros que conseguiu ficar mais um ano em cartaz, entre o outubro de 2014 e outubro de 2015. O Brasil foi o sétimo país que mais rendeu bilheteria ao filme no mundo: R$ 6,8 milhões. Galãs e musas internacionais Isabelle Huppert, Ricardo Darín, Penélope Cruz, Omar Sy e Audrey Tautou Divulgação O galã máximo argentino, Ricardo Darín, também conquistou os brasileiros. O ator está 7 dos 10 filmes argentinos mais vistos no Brasil: “Relatos Selvagens”, “O segredo dos seus olhos”, “Um conto chinês”, “A odisseia dos tontos”, “Truman”, “Um amor inesperado” e “Neve negra”. Da Espanha, Penélope Cruz reina absoluta como a protagonista que mais arrecada por aqui. O ator Javier Cámara se iguala nas participações de filmes espanhóis que estreiam no Brasil, mas sempre em papéis coadjuvantes. Da França, não há uma presença tão marcante entre os campeões de bilheteria do Brasil e as escalações dos artistas são bem divididas entre os 20 filmes que mais arrecadaram. Omar Sy (eleito personalidade favorita dos franceses em 2012) foi quem mais apareceu, em três deles: “Intocáveis”, “Samba” e “Uma família de dois”. Entre as mulheres, Isabelle Huppert e Audrey Tautou aparecem em dois filmes cada. Onde estão Ásia e África? Cena de ‘Dragon Ball Super Broly’ Reprodução O país asiático com presença mais forte no Brasil foi o Japão, com 40 filmes. Destes, 14 foram animações das sagas “Dragon Ball”, “Cavaleiros do Zodíaco”, “Naruto” e “Pokémon”. Mas também há dramas na lista, como o recente “Assunto de família”; o ganhador do Oscar, “A partida”; e “Pais e filhos”. A China lançou 37 filmes e a Coreia do Sul, 21. A Índia, mesmo com uma indústria cinematográfica consolidada, emplacou apenas sete filmes no Brasil. Quem completa o top 5 asiático são dois países do Oriente Médio: Israel, com 17, e Irã, com 12. Da África, a presença é muito mais tímida. O filme com mais estreias no Brasil durante esse período foi a África do Sul, com 8. O efeito ‘Parasita’ Choi Woo-sik, Song Kang-ho, Jang Hye-jin e Park So-dam em cena de ‘Parasita’ Divulgação Não é só o Brasil que está olhando para o que é feito fora dos Estados Unidos. As produções internacionais têm ganhado força em premiações importantes, como Oscar e Globo de Ouro. “Parasita”, da Coreia do Sul, foi o grande fenômeno deste ano e fez história ao ser o primeiro filme não falado em inglês a vencer o Oscar de melhor filme. Após a vitória no Oscar, o filme do diretor Bong Joon-ho mais que quadruplicou sua presença em salas de cinema no Brasil. Em novembro de 2019, estreou em 60 salas. Na reestreia desta semana pós-Oscar, estará em cartaz em 248 delas, nas cinco regiões do Brasil. Bong Joon-Ho admira as estatuetas que ganhou no Oscar 2020 Eric Gaillard/Reuters Segundo a Pandora filmes, há cidades na lista que só costumam exibir blockbusters e filmes dublados, mas a distribuidora não tem informação de quantas cidades receberam pela primeira vez um filme sul-coreano. Antes do sucesso de “Parasita”, “Dor e Glória” (Espanha), “Roma” (México), “Elle” (França), “Amour” (França) e “Dois dias, uma noite” (França, Itália e Bélgica) também concorreram em categorias que não a dedicada a filmes internacionais. Cinema independente Por enquanto, a maior parte desses filmes estreia e tem vida longa nos cinemas independentes. “Falta chegar ao circuito comercial. No circuito alternativo, há muita diversidade de territórios”, explica Juliana Brito, da Pandora. Agora, após a vitória de “Parasita” no Oscar, a expectativa é que não só o público passe a buscar mais esses filmes, mas também as distribuidoras. E que as negociações se tornem mais vantajosas, diz Bernardini. Source: G1 Pop & Arte

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