Covid-19: vacina em estudo no interior de SP usa proteínas do próprio coronavírus

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Empresa de biotecnologia de Ribeirão Preto prevê testes em camundongos a partir de julho. Solução combina antígenos com sistema de entrega que ativa o sistema imunológico. Laboratório da Farmacore, em Ribeirão Preto (SP) Rafael Barreto/Divulgação Farmacore Uma empresa de Ribeirão Preto (SP) estuda a produção de uma vacina que utiliza proteínas do próprio coronavírus. Ainda em fase inicial de desenvolvimento, o grupo de biotecnologia prevê realizar, a partir de julho, os primeiros testes em camundongos. As proteínas, segundo a Farmacore, ativam o sistema imunológico contra a Covid-19 e funcionam em associação com um sistema desenvolvido nos Estados Unidos que garante a entrega dos antígenos às células certas. A validação em animais antecede os testes em humanos. De acordo com um recente balanço da Organização Mundial de Saúde (OMS), há no mundo em torno de 118 vacinas contra o coronavírus em desenvolvimento, entre elas 8 em fase clínica e 110 em fase pré-clínica (leia mais abaixo sobre o processo de produção de vacinas). No Brasil, estão previstos os primeiros testes em animais de uma vacina do Incor. Em uma dessas iniciativas a Moderna, empresa de biotecnologia dos Estados Unidos, divulgou que sua vacina produziu resposta imune em oito pacientes, mas especialistas defendem que o estudo não garantiu dados críticos necessários para que a eficácia seja avaliada. Proteínas do próprio vírus Em Ribeirão Preto, a Farmacore, que desde 2005 desenvolve soluções em saúde humana e animal para indústrias, iniciou os estudos no final de janeiro com base nas informações que começaram a ser divulgadas sobre o vírus no meio científico. Em fevereiro, a revista “Science”, uma das mais importantes do mundo, publicou o sequenciamento da Sars-Cov2 descoberto por cientistas e abriu perspectivas para a busca de vacinas. Nesse período, a empresa do interior de São Paulo informa ter encontrado uma combinação que tem potencial de ativar dois linfócitos [células do sistema imunológico] conhecidos por agirem contra o novo coronavírus, explica a CEO Helena Faccioli. “Juntamos vários pedaços de proteínas do próprio vírus e fizemos uma proteína de fusão”, explica. A solução em estudo conta com um sistema de entrega – inovação desenvolvida pela empresa americana PDS Biotecnologia – que leva essas substâncias até os linfócitos. “Todas as vacinas que estão sendo testadas têm alguma coisa diferente uma da outra. A maioria está usando o vírus atenuado ou vacinas de RNA. A nossa é uma junção das principais proteínas do vírus com o sistema carreador”, explica a CEO. Funcionário da Farmacore, em Ribeirão Preto (SP) Rafael Barreto/ Divulgação Farmacore A expectativa é de que a formulação da vacina – que será feita nos EUA – comece a ser testada em julho em camundongos não infectados. “No camundongo vamos ver a resposta imunológica, se ele vai produzir anticorpos contra a Covid-19”, diz. Se os resultados forem promissores, os primeiros testes em humanos podem acontecer a partir de setembro, afirma Helena Faccioli. Procurados, os ministérios da Saúde e da Ciência e Tecnologia não comentaram a aprovação que permite o andamento do estudo. Estágios de produção de vacinas Para chegar a uma vacina efetiva, os pesquisadores precisam percorrer diversas etapas. Entre elas está a pesquisa básica – que é o levantamento do tipo de vacina que pode ser feita. Depois, passam para os testes pré-clínicos, que podem ser in vitro ou em animais, para demonstrar a segurança do produto; e depois para os ensaios clínicos, que podem se desdobrar em outras quatro fases: Fase 1: feita em seres humanos, para verificar a segurança da vacina nestes organismos Fase 2: onde se estabelece qual a resposta imunológica do organismo (imunogenicidade) Fase 3: última fase de estudo, para obter o registro sanitário Fase 4: distribuição para a população Reprodução em 3D do modelo do novo coronavírus (Sars-CoV-2) criada pela Visual Science. Dentro do verde mais claro, as bolinhas vermelhas representam o ‘centro’ do vírus, o genoma de RNA; as bolinhas verdes são proteínas ‘especiais’, que protegem esse material genético. Ao redor do verde, o vermelho mais fraco é a ‘casca’, feita de uma membrana retirada da célula hospedeira. O vermelho mais vivo são as proteínas ‘matrizes’ codificadas pelo vírus. As ‘pontas’ que saem do vírus são as ‘lanças de proteínas’, que o vírus usa para se conectar às células hospedeiras e infectá-las. Reprodução/Visual Science Initial plugin text Busque pelo título do caso Veja mais notícias da região no G1 Ribeirão Preto e Franca Source: G1 Ciência e Saúde

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