Concurso IBGE/Censo 2021: veja dicas de estudo para as provas de recenseador

Para especialistas, apesar de a prova ter apenas quatro matérias, o candidato não deve relaxar, pois a concorrência será grande; veja como se organizar e o que priorizar na preparação. O Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) reabriu o aguardado concurso com 204.307 vagas temporárias para a realização do Censo Demográfico 2021. Só para recenseador são 181.898 vagas. Outras 22.409 vagas são para agente censitário.
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A prova objetiva para recenseador, que será aplicada em 25 de abril, será dividida da seguinte forma:
10 questões de Língua Portuguesa
10 questões de Matemática
5 questões sobre Ética no Serviço Público
25 questões de Conhecimentos Técnicos
As questões da prova objetiva serão do tipo múltipla escolha. Será aprovado o candidato que obtiver no mínimo 15 pontos e no mínimo um acerto em cada uma das disciplinas.
Em caso de empate na nota final no processo seletivo simplificado, terá preferência o candidato que, na seguinte ordem:
obtiver maior nota na disciplina Conhecimentos técnicos;
obtiver maior nota na disciplina Língua Portuguesa;
obtiver maior nota na disciplina Ética no Serviço Público.
Para os especialistas, apesar de a prova para recenseador ter apenas quatro matérias, o candidato não deve relaxar, pois a concorrência será grande, devido ao desemprego recorde e pelo fato de o cargo de recenseador exigir o nível fundamental completo. Veja abaixo as dicas de estudo para o concurso.
Dicas gerais
Fernando Bentes, diretor acadêmico do Qconcursos.com e professor de direito constitucional da UFRRJ, aconselha o candidato a estudar todas as matérias ao mesmo tempo.
“Assim, o candidato vai estar sempre relembrando tudo, sem intervalos longos de semanas ou meses entre o aprendizado de cada disciplina”, diz.
Segundo ele, se o candidato se concentrar em aprender uma disciplina de cada vez, isso vai gerar um tempo muito grande no estudo de cada matéria.
Bentes lembra que é preciso seriedade dos estudos. “O grande número de vagas não deve deixar ninguém tranquilo, já que o desemprego deve levar milhões de candidatos a fazerem o concurso”, aponta.
Para Antonio Batist, especialista em gestão pública e empresarial, ler e entender o edital é o primeiro passo – é dele que vêm as decisões seguintes.
Batist recomenda fazer o download do material gratuito de conhecimentos técnicos – que está no link do concurso no site do Cebraspe – e priorizar a disciplina, que corresponde à metade da pontuação da prova.
Outras dicas são estudar a parte teórica dos conteúdos, fazer provas anteriores, ver onde precisa melhorar após as provas e repetir o ciclo, corrigindo as falhas identificadas em cada conteúdo ou disciplina.
Prova exige compreensão e raciocínio
Segundo o edital, as questões da prova poderão avaliar habilidades que vão além da memorização, abrangendo compreensão, aplicação, análise, síntese e avaliação, com o intuito de valorizar a capacidade de raciocínio. Cada questão da prova poderá contemplar mais de um objeto de avaliação.
Para Bentes, esse estilo de prova é semelhante ao Enem, que cobra a interdisciplinaridade e a capacidade de reflexão crítica. Segundo ele, para exercitar a interdisciplinaridade, os candidatos devem buscar semelhanças e diferenças entre os conteúdos das disciplinas.
“Cada novo conceito deve ser resgatado no momento em que se aprende algo novo. Essa comparação entre matérias é importante para treinar a articulação de ideias diferentes e o raciocínio interdisciplinar”, explica.
Por isso, o especialista lembra que é importante estudar todas as matérias ao mesmo tempo para estabelecer conexões interdisciplinares.
“Para exercitar a reflexão crítica, os candidatos devem valorizar os fundamentos dos conceitos, sua razão de ser, sua essência. Não é decorar, é ter um olhar analítico sobre princípios, teorias e regras. Com esse enfoque mais profundo, o candidato poderá se distanciar da superfície e pensar de maneira mais profunda sobre todo o conhecimento”, opina.
Para treinar esse tipo de reflexão crítica, ele aconselha que o candidato sempre questione: qual a origem do conceito? Como ele foi desenvolvido? Há exceções? Qual sua utilidade? Cumpre sua função? Tem consequências? “Esse é um excelente exercício para treinar o raciocínio”, avalia.
Antonio Batist afirma que o Cebraspe costuma elaborar questões com foco em conhecimento, não em astúcia.
“As questões costumam ser bem elaboradas, sem pegadinhas, e podem mesclar assuntos e até disciplinas diferentes dentro de uma mesma pergunta. Ficar atento às possíveis conexões de um assunto com outro ou de uma disciplina com outra é um dos melhores caminhos”, aconselha.
Ele indica resolver provas recentes do Cebraspe, em estilo de múltipla escolha, para entender o estilo de pergunta que a organizadora costuma fazer. Assim, o candidato evita surpresas no dia da prova e tem maiores chances de aprovação.
De acordo com Erick Alves, professor do Direção Concursos, geralmente, essas questões multidisciplinares abordam situações que o recenseador poderá vivenciar no seu trabalho. “Assim, é importante que o candidato não apenas memorize os conteúdos, mas também procure visualizar a aplicação prática dos assuntos estudados”, aconselha.
Conhecimentos específicos têm maior peso
Antonio Batist considera que a prioridade deve ser voltada à disciplina de conhecimentos específicos, que equivale à metade da pontuação total da prova. Entretanto, as demais disciplinas devem ser estudadas, mesmo que com menor intensidade.
Segundo ele, o ideal é a seguinte ordem:
prioridade alta para a disciplina de conhecimentos técnicos
prioridade média para disciplinas que o candidato não domina (e que precisará reforçar a aprendizagem)
prioridade baixa para a disciplina de domínio do candidato (se ele de fato domina, inclusive ao resolver as provas anteriores de determinado assunto, bastará revisar sem grandes aprofundamentos)
Fernando Bentes ressalta que a disciplina de conhecimentos específicos possui 25 questões, de um total de 50.
“É a matéria com maior peso e deve ser valorizada. As disciplinas de Língua Portuguesa e Matemática foram estudadas por qualquer pessoa que terminou o nível fundamental. Logo, deve haver um equilíbrio entre os candidatos. Por isso, seu maior diferencial será mesmo o número de acertos nas questões de conhecimentos específicos”.
Ele lembra que o IBGE oferece duas apostilas para o concurso: de Ética no Serviço Público e de Conhecimentos Específicos. Ambas estão disponibilizadas no site da banca organizadora.
Clique aqui para acessar a apostila de Conhecimentos Técnicos
Clique aqui para acessar o Código de Ética do IBGE
“Por isso, quem estiver empenhado em passar vai devorar este conteúdo, o que também deve trazer certo nivelamento entre os candidatos”, afirma.
“Em relação à matéria de Ética no Serviço Público, embora o IBGE disponibilize uma apostila, existem outras exigências de estudo. Portanto, leia atentamente o edital, separe tudo que é cobrado no conteúdo programático e faça uma boa leitura daqueles artigos previstos na Lei nº 8.112 de 1990 que devem cair na prova”, recomenda.
Erick Alves concorda que o candidato deve priorizar a disciplina de conhecimentos específicos, mas não deve desprezar os demais assuntos, pois o concurso será muito disputado.
Bentes ressalta que o candidato não deve desprezar as disciplinas que sabe menos porque seu estudo pode garantir um número muito maior de pontos do que teria caso se concentrasse apenas na matéria da zona de conforto. “Se estudar o que não sabe, a chance de aumentar a pontuação será muito maior”.
Ele cita como exemplo um candidato que é bom em Matemática e estuda mais a matéria. Provavelmente tiraria 8 pontos em Matemática e 2 em Língua Portuguesa, com um total de 10 pontos nas duas matérias.
Se o mesmo candidato estudasse mais Língua Portuguesa do que Matemática, talvez acertasse 6 na primeira e 7 na segunda, com um total de 13 pontos.
Provas anteriores
Fernando Bentes aconselha a selecionar questões das disciplinas do edital que tenham sido cobradas em provas recentes da banca Cebraspe.
“Em concursos públicos, as bancas têm estilo próprios na realização de provas. Acostumar-se ao enfoque de cobrança das bancas é um fator decisivo para ser aprovado. Logo, este deve ser o maior critério para o estudo prático por meio de questões e simulados”, diz.
Antonio Batist ressalta que, geralmente, a banca Cebraspe faz provas com estilo “certo e errado”, em que uma questão que o candidato errou acaba eliminando a pontuação de outra questão que acertou. Mas, nesta seleção, o Cebraspe usará um estilo de prova diferente: serão questões com cinco alternativas e não haverá eliminação de uma certa por uma errada.
Portanto, segundo ele, o candidato precisa estudar a parte teórica dos conteúdos que serão cobrados de acordo com o edital e fazer muitas provas anteriores do Cebraspe, mas priorizando as provas onde a banca usou o estilo “ABCDE”.
“Estudar com materiais desatualizados ou de outras bancas de concursos com estilos muito diferentes podem ser erros fatais”, alerta.
Erick Alves aconselha buscar questões mais recentes da banca Cespe, principalmente de concursos de nível médio.
E quem vai fazer as duas provas?
Os candidatos podem prestar os dois concursos do IBGE, para os cargos de recenseador e agente censitário, pois as datas são diferentes, com diferença de uma semana. Para agente, serão no dia 18 de abril, e para recenseador, no dia 25.
De acordo com Fernando Bentes, as provas de agente censitário e recenseador cobram as mesmas disciplinas, com apenas duas diferenças: no primeiro cargo será cobrado Raciocínio Lógico e no segundo, Matemática. Além disso, para agente censitário, o candidato terá que estudar mais uma disciplina: Noções de Administração/Situações Gerenciais.
“Mas é importante lembrar que a prova de agente censitário deve ser um pouco mais difícil e complexa do que a de recenseador porque possui a exigência de nível médio”, alerta.
Ele recomenda ao candidato que pretende prestar para ambos os cargos focar no conteúdo de agente censitário, com o acréscimo de estudar Matemática, que só será cobrada na prova de recenseador.
“Se fizer isso, estará estudando uma vez, mas preparando-se para as duas provas ao mesmo tempo. Sua chance de aprovação vai se multiplicar por dois”, afirma.
Antonio Batist aconselha identificar sinergias entre os conteúdos dos dois editais, verificando o que se repete em cada disciplina. “A partir daí, estude pelo cargo mais complexo. Em tese, se conseguir boa nota nele, terá boas chances no cargo mais simples, caso existam conteúdos repetidos ou muito semelhantes”, explica.
Segundo ele, aproveitar ao máximo as sinergias entre os editais reduz o esforço de forma inteligente e evita estudar assuntos em duplicidade.
Ele recomenda elaborar um cronograma de estudos para cada edital e um terceiro com as sinergias, de acordo com o que é preciso aprender para cada seleção.
“Após a primeira prova, faça uma cuidadosa revisão para corrigir falhas e limitações e ampliar as chances de sucesso também na segunda prova. As falhas podem ir desde conteúdos que você precisa aprender melhor até aspectos como ansiedade, sono, controle do tempo durante a prova. Muitas vezes, estudar certo é diferente de estudar muito”, comenta.
Erick Alves aconselha escolher um dos dois cargos como principal, para o candidato se dedicar mais. “Vale estudar primeiro os conteúdos que são comuns a ambos cargos e depois os temas específicos”, indica.
Dicas para a prova de agente censitário
Antonio Batist afirma que as dicas gerais para a prova de agente censitário são basicamente as mesmas para quem vai fazer a prova para recenseador, devido às semelhanças entre os dois editais.
Mas, segundo ele, a diferença mais importante está na quantidade de questões e nas disciplinas que compõem a prova: para agente censitário, haverá 10 questões a mais e, embora a disciplina de Conhecimentos Técnicos também seja a que vale mais pontos, há outra que aparece com grande pontuação, que é Noções de Administração/Situações Gerenciais. Ambas as disciplinas reúnem 35 das 60 questões da prova.
“O candidato deve estudar todas as disciplinas, mas a soma de noções de administração com conhecimentos técnicos será o diferencial mais decisivo de todos para agente censitário”, afirma.
Veja como será a prova objetiva para agente:
10 questões de Língua Portuguesa
10 questões de Raciocínio Lógico Quantitativo
5 questões de Ética no Serviço Público
15 questões de Noções de Administração/Situações Gerenciais
20 questões de Conhecimentos Técnicos
Bentes concorda com Batist. E aconselha que o candidato estude com afinco a apostila de Conhecimentos Específicos, fazendo perguntas ao conteúdo que aprendeu, como se estivesse simulando as possíveis questões de prova.
No caso de Noções de Administração/Situações Gerenciais, ele acha que o candidato terá que buscar uma apostila completa ou um livro que aborde o conteúdo previsto. E focar no conhecimento de gestão de pessoas e liderança, dois conteúdos que devem ser cobrados porque estão ligados diretamente às funções que vão desempenhar no IBGE.
“De modo geral, como a prova é de nível médio, a cobrança da capacidade de reflexão crítica e interdisciplinar deve ser maior do que a de recenseador. Portanto, aconselho um estudo sério e profundo”, diz.
Source: G1 Economia

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